O que acontece quando pedem a insolvência da empresa?

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Esta pergunta refere-se à parte emocional e social dentro e fora da empresa.

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Os trabalhadores poderão ficar aliviados, especialmente se tiverem salários em atraso. Vão receber do fundo de desemprego e, se a empresa não tiver bens, tem o Fundo de Garantia Salarial para receber a indemnização. Não espere grande compreensão por parte dos trabalhadores, estão a ver o seu posto de trabalho em perigo. Em 99% dos casos, o sentimento é simples: se a empresa chegou a este ponto, a culpa é sua. Não interessa se foi a pandemia ou o quanto se esforçou e sacrificou pela empresa. Não fique a remoer e a querer mostrar o seu lado. Esqueça e avance.

Os fornecedores vão entrar num frenesim. São os últimos a receber e, a seguir a si, quem mais perde. Vão pressionar para que devolva o que tiver em stock ou para lhes fazer uma confissão de dívida ou algo do género. Resista. Pode ser considerado um comportamento que lesa a empresa e o Estado. Vai ser desgastante, humilhante e deprimente. Aceite isso, faça o melhor que puder e fale com todas as pessoas. A pior coisa que pode fazer é deixar de comunicar, de atender chamadas. Se, de todo, não pode falar mais, mande um email. Mas explique sempre o que se está a passar e o que está – ou não – no seu poder fazer. Não prometa o que não pode dar. Hoje as coisas estão assim, mas amanhã pode precisar de trabalhar com eles ou do seu acordo para um plano de recuperação. E pode ficar surpreendido com algumas reações positivas de quem já passou por algo semelhante. O Estado está-se nas tintas. Mas são pessoas como eu e como você que estão atrás dos balcões. Se tem dúvidas ou quer saber as suas opções vá às Finanças ou à segurança social. Se não se sentir confortável em ir sozinho, leve o contabilista consigo. Lembre-se que não se apanham moscas com vinagre, embora esses funcionários não possam fazer muito, às vezes há pequenas coisas que o podem ajudar.

A família nuclear, nesta fase, já deveria estar informada do que passa. Se não o fez ainda, está na hora. Mesmo que não sejam conhecedores do mundo empresarial, tem de ter uma noção do que se passa. Ficar às escuras só lhes vai aumentar a sensação de medo e insegurança. Prepare-os para ouvirem coisas menos agradáveis dos amigos, vizinhos e conhecidos. Há pessoas que adoram uma boa desgraça alheia. Vão ter de aprender a ignorar.

Os amigos – e também família não nuclear – vão ser uma fonte de surpresas. Uns vão logo colocar-se a seu lado para o que der e vier. Outros, vão simplesmente desaparecer. E outros vão ficar sem saber como lidar consigo, não vá pedir dinheiro… Se tiver sorte terá uma mão cheia de Família e Amigos que só querem que fique bem. Mais uma vez, poderá ouvir “bocas” menos simpáticas, especialmente se tinha um nível de vida superior a quem o rodeia.

É assim mesmo, uma lado cruel da natureza humana que gosta de ver a desgraça e dor dos outros. Ignore essa gente, não lhe fazem falta. Por outro lado vai ter a oportunidade de ver o melhor das pessoas e, quantas vezes, de gente que nem contava…

Se já foi pedida a insolvência e não contestar o pedido de insolvência, será nomeado um administrador de insolvência. Não pense que essa pessoa vai administrar a sua empresa de alguma forma. Simplesmente vai fazer um levantamento do estado da empresa com os dados contabilísticos e uma eventual visita às instalações da empresa. Não vai acontecer no próprio dia, claro. Durante este período e até ser decretada a insolvência, a empresa continua a ser da sua responsabilidade. Apenas quando for decretada e tiver entregue as chaves (literalmente) é que deixa de ser sua responsabilidade.

Sobre o autor

Maria Machado
Maria Machado

Autora e criadora do ‘blog’ outraopiniao.com, criou este ‘blog’ onde oferece outra opinião de empresário para empresário sobre vários temas, sem palavreado técnico e baseada na sua própria experiência.

Maria Machado Por Maria Machado

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Autora e criadora do ‘blog’ outraopiniao.com, criou este ‘blog’ onde oferece outra opinião de empresário para empresário sobre vários temas, sem palavreado técnico e baseada na sua própria experiência.

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